maio 31, 2015

The Diaries Of A Survivor. Capitulo 5.


"Se você sair, você arriscará a sua vida. Se você beber água, você arriscará sua vida. E hoje em dia só de respirar você já arrisca sua vida. A única coisa que você pode escolher é pelo o que você irá arriscar."

Anteriormente em The Diaries Of a Survivor:

         Passos. Era isso o que vinha na minha cabeça. Passos de alguém andando em um corredor silencioso em que somente o contado do calçado chocando-se ao chão era ouvido. Um corredor enorme de paredes e chão branco, o barulho era semelhante ao de um salto alto fazendo contato com o chão várias e várias vezes, era a única coisa que ecoava ali, nenhum outro ruído, nenhuma voz, nada, somente isso. A suposta mulher parou na frente de uma porta e seu reflexo apareceu no pequeno vidrinho da porta branca.

         Ela,era eu.
__________

         A presumível Eu colocou mão em um tipo de sensor ao lado da porta e ela abriu-se, quando entrei na suposta sala, minha mente interrompeu-se e a lembrança se dissipou.
        
         Abri meus olhos.

         Estou ofegante, mas minha cabeça por fim parou de doer. Que diabos foi isso? Passei dois anos deitada em uma cama, mas depois da experiência no banho eu me sentia cansada e doente. Perguntei-me o motivo da dor na cabeça e deduzir que teria sido quando tomei um tombo e a bati.

         Eu já estava na cama quando olhei para um canto da parede e vi um relógio pendurado, marcava 23:50hrs. Isso estava realmente certo? Tanto faz, não importava agora. Fechei meus olhos e só levei alguns minutos para conseguir dormir.

_ Hey garota. _Escutei a voz de Trevon e abri os olhos assustada_ calma, sou eu.

_ Ah, oi Trevon. _Sentei-me na cama

_ Se arrume rápido, já amanheceu e já estamos saindo.

         Levantei rapidamente da cama e então Trevon saiu do quarto, fiz minha higiene e desci para um o primeiro andar. Cardoso estava na cozinha comendo alguma coisa, olhei para os lados em busca de Trevon, porém não consegui achá-lo.

_ Bom dia. _estou constrangida com a presença de Cardoso.

         Ele me olhou e voltou a comer.

_ Aqui garota, pode comer isso. _Trevon disse entrando na cozinha com comida enlatada._ Não é uma comida cinco estrelas, mas é isso que tem. _ele deu de ombros.

_ Ela tem que agradecer _ele deu um gole na água que estava bebendo_ salvamos a vida dela e ainda estamos dando a ela o que comer. _disse Cardoso de forma áspera.

_ Não fale assim, tio. _Trevon me olhou como quem dizia “perdão por ele, Cardoso é babaca e você deve ignorá-lo”. Foi o que eu fiz, ignorei Cardoso e fui até Trevon pegando a lata de sua mão.

_ Hey, vai abrir como? _Cardoso voltou a falar_ Com os dentes? _ ele riu da própria piada. Respirei fundo.

_ Deus, tio! _Trevon falou e deu uma pausa_ Deixe a garota em paz. _ele pegou um abridor em cima da pia e um garfo e deu pra mim.

_Obrigada.

         Sentei-me na mesma mesa que Cardoso estava.

_ Vamos para Yakima. _Trevon aproximando-se da mesa enquanto eu abria a lata.

_ Em que lugar estamos? _perguntei colocando um pouco da comida na boca.

_ Washington, EUA. _Trevon respondeu sentando-se na cadeira ao meu lado.

_ Qual cidade? _perguntei.

_ Spokane. _ele respondeu.

_ Desde quando estamos aqui?

         Trevon abriu a boca para responder e então Cardoso o cortou.

_ Jesus, como essa garota pergunta! _ele falou quase gritando, parecia irritado.

         Eu iria debater, mas preferir calar a boca já que se não fosse por eles eu teria virado comida para morto-vivo, e mesmo agora depois de ter acordado de um sono de anos ele poderia me colocar pra fora a qualquer momento. Se tivesse alguém que iria debater com Cardoso e o deixar mais irritado do que naturalmente é, esse alguém definitivamente não seria eu.

(...)

         Cardoso estava tirando algumas madeiras da porta que tinha colocado ontem de madrugada desde que um morto-vivo tentou invadir a casa. Abordei Trevon perguntando-o qual tinha sido a necessidade para isso já que tinham três enormes cadeados e ele disse que Cardoso era cheio de si e que as vezes preferia não contrariar as manias do tio.

_ Usamos essas madeiras para bloquear a passagem das coisas que ficam lá fora. _Trevon estava me explicando o motivo de colocar as madeiras extras na porta, mesmo eu já sabendo ou desconfiando o motivo_ Não é 100% seguro mais pelo menos nenhum morto-vivo consegue entrar.

         Balancei a cabeça e então peguei a mochila que Trevon tinha me dado para colocar minhas coisas, fui para o meu quarto, guardei minhas coisas, coloquei uma das alças da mochila no ombro, desci as escadas e não pude evitar de perguntar.

_ Por que estamos saindo de Spokane?

_ Acabou tudo aqui nessa cidade _ele respondeu_ gasolina para o carro, comida, água, tudo! Acho que você percebeu o quanto estava fraca a água ontem _balancei a cabeça concordando_  Só temos suprimentos para mais ou menos uma semana, se acabarem estamos ferrados.

_ Yakima fica a mais ou menos quanto tempo daqui? _perguntei

_ Umas três horas. _ele respondeu pegando as coisas dele e as do tio.

_ Não tem nenhuma cidade mais perto? _perguntei. Três horas, tempo demais para uma viagem.

_ Cidade tem _ele respondeu_ Coeur D’alene fica próximo, mais ou menos uns trinta e seis minutos.

_ Por que não vamos pra lá, então? _trinta e seis minutos para três horas não era pouca diferença e sim muita. E por que não optar pelo lugar mais perto, Certo?

_ Se lá tivesse alguma coisa estaríamos indo pra lá, não acha? _perguntou Cardoso com seu natural tom pressuroso na voz, segurando o martelo que tirava as madeiras extras da porta com a mão e o apoiando no ombro enquanto virava-se pra mim, ele caminhou até Trevon e em seguida pegou uma das mochilas que estavam na mão dele.


_ Coeur d’alene, ultima cidade que estávamos e a mais perto, porém agora não se tem mais nada para aproveitar lá _Trevon pausou_ por isso vamos para Yakima.

_ Mas lá tem gasolina, comida e água? _perguntei, como ele poderia ter tanta certeza assim? E se no meio do caminho algo de errado acontecesse?

_ Deixe-me ver na bola de cristal! _Cardoso falou fingindo gentileza e doçura no tom de voz enquanto segurava uma bola invisível entre as mãos_ Garota, como iremos saber? _ele perguntou quase óbvio abaixando as mãos e me encarando de forma séria.

         Quando terminamos de pegar todas as coisas, Cardoso parou na frente da porta da casa, destravou os enormes cadeados guardando-os no bolso. Ele destravou a arma e conferiu se estava cheia, olhou brevemente para Trevon e em seguida para mim. Eu e Trevon estávamos logo atrás dele.

_ Fique esperta e não faça barulho algum _Trevon disse baixinho pra mim enquanto pegava sua arma que estava na cintura.

         Balancei a cabeça e foi Trevon quem destravou a arma.

Continua...             


No próximo capítulo:

Arregalei meus olhos caçando a voz desvairadamente enquanto procurava por ela. Trevon estava me observando pelo retrovisor lateral do carro, ele virou-se para mim.

_ Esta tudo bem? _perguntou, seu tom de voz entregava que estava preocupado.

_ Sim, é só que... _dei uma pausa e respirei fundo_ você não ouviu?

_ Ouvi o que? _ele perguntou


Notas:

         Eita Mama, o que esta acontecendo nessa prévia? Não sei... Mentira sei sim u_u

         Eu quero pedir desculpas, muitas desculpas mesmo, por ter demorado a postar. Eu tive alguns imprevistos essa semana, tive que ir ao médico, ir para o meu pai (que não mora comigo) e um monte de outras coisas. Podem ficar tranquilas que não irei abandonar vocês

         EU TÔ PIRANDO AQUI, meninas eu quero abraçar e beijar todas vocês que viraram membros do blog, que comentam e que estão lendo a minha fanfic. OBRIGADA SUAS LINDAS VOCÊS ME MOTIVAM!

         Por hoje é só, digam ai em baixo o que acharam desse capítulo, o que vocês estão esperando para os próximos e se vocês estiverem com alguma dúvida podem comentar também, lembrando que eu respondo todos os comentários.



- Um beijo, Mama

maio 25, 2015

The Diaries Of A Survivor. Capitulo 4.


“Não se pode sobreviver sendo o mocinho.”


Anteriormente em The Diaries Of a Survivor:



         Sem ele perceber eu levei meu rosto próximo a minha axila e dei uma fungada de longe, não cheirava mau, pelo contrario estava cheirando a desodorante e parecia que nem tinha se expirado as 24h ainda.

_ Quem me deu banho depois que ela faleceu? _perguntei.

_ Eu.

__________


Senti meu rosto queimar, provavelmente eu estava vermelha. Meu corpo inteiro entrou em alerta. Permanecemos em um silêncio constrangedor. Trevon me olhou e desviou o olhar. Posso falar que cogitei a ideia de pular pela janela?

_ Não eu não abusei de você em momento algum. _ ele comentou depois de alguns minutos.

         Continuei calada por alguns segundos procurando alguma coisa útil para falar. Eu cogitei um obrigada, puxei ar para começar e Trevon voltou a falar.

_ Foi bom você ter acordado, amanhã mesmo iremos mudar de casa.

_ Isso me parece assustador. _eu iríamos embarcar nesse assunto ou ficaríamos retraídos para sempre.

_ Será se você fizer algazarra e chamar a atenção dos mortos lá em baixo.

_ Como tudo aconteceu? Digo por que dessas coisas?

_ Mark Ward Corporation, MWC, Ward Inc, Mark Ward Pharmaceutical Inc. _ele engoliu a saliva e voltou a falar_ Enfim como preferir chamar, tudo começou pelo dono da fábrica. _ele encarou os pés_ As pessoas achavam que produziam produtos farmacêuticos, mas na verdade eles tinham um laboratório secreto, mas aparentemente não conseguiram conter toda aquela merda, não sei exatamente o que aconteceu só que o vírus alastrou-se muito rápido e eles não conseguiram conter aquela porcaria de forma alguma _ele pausou_ tentam até hoje achar uma cura.

_ Por que diabos alguém inventaria um vírus que converteria pessoas normais em mortos-vivos? _perguntei, acabar com o mundo era doentio.

_ Eu ouvir falar que não era essa o alvo, que a experiência era para outra desígnio, mas acabou tendo acidentalmente contato com um outro vírus, que acabou dando no que deu.

_ Eu ainda prefiro achar que estou sonhando. Mark era um doente, insano e sórdido _admiti em um pensamento alto_ Como alguém poderia deixar isso acontecer? Por que ninguém tentou conter essa merda? _perguntei indignada.

_ E tentaram conter, mas o vírus se espalhou rápido demais. Uma mordida e você já esta condenado.  Antes de começar a realmente ficar feia a situação, diziam que era apenas uma gripe, mas depois que os infectados morreram como humanos e voltaram como monstros acredito eu que teriam fugido do hospital e se espalharam pela floresta, que a propósito era ao lado do hospital e então eles atravessaram a floresta e apareceram no mercado em que eu e Cardoso estávamos. Depois disso o mundo foi para os caralhos.


_ Você acha que os infectados morderam alguém do hospital?

_ Claro. E esse infectado mordeu outro alguém e assim começou o massacre.

_ Nossa. _sussurrei e abaixei minha cabeça. Me sentia cansada e doente depois disso.

_ Você precisa descansar, recebeu muito conteúdo para uma noite só.

         Trevon parecia ser um cara que se preocupava com as pessoas, ele parecia ser bom, e definitivamente eu tinha uma impressão diferente dele em relação ao do tio.

         Despedimo-nos e eu fui para o quarto que tinha acordado, Trevon tinha me falado que tinham roupas no armário pra eu poder usar, disse que estavam limpas e prontinhas para serem usadas a qualquer momento e que a porta extra no meu quarto era um banheiro.
        
         Assim que entrei, abri o armário e vi que não tinham muitas roupas, digo tinham três calças jeans, cinco regatas, um sapato ao lado de fora do armário e nas gavetas... Roupas intimas. Ok. Senti vergonha só em pensar que um entranho teria me visto nua várias e várias vezes. Nua, desacordada e indefesa. Peguei uma blusa e a calça mais confortável e fui para o banheiro.

         Parei na frente do espelho e foi ali que pude ver como eu realmente era. Alta, magra, cabelos e olhos castanhos, pele não tão branca e nem tão morena, fiquei encarando a pessoa que refletia na minha frente como se ela pudesse me dar todas as informações sobre quem eu era. Nome, idade, estado civil, lugar que nasci e lugar que eu morava. Qualquer coisa que dissesse quem eu era.

         Tirei a atadura que envolvia minha cabeça e vi que estava manchada com um pouco de sangue, arregalei meus olhos, coloquei minha mão no local dolorido e olhei meus dedos.

         Não, eles não estavam com sangue.
        
         Tirei minha roupa, liguei o chuveiro, entrei e deixei a água cair sobre minha cabeça, fechei meus olhos e desejei mais uma vez que tudo ficasse bem, que tudo fosse um pesadelo e que...
                                 
         AAAAI

         Coloquei minha mão na nuca ao sentir uma espécie de queimadura interna. Tudo pareceu ficar escuro e meus pés se encontraram com as nuvens, mas eu não podia me manter nelas. Sentei-me no chão para evitar uma queda, coloquei minha mão na cabeça pressionado firme como se fazendo aquilo a dor fosse parar.
        
         Passos. Era isso o que vinha na minha cabeça. Passos de alguém andando em um corredor silencioso em que somente o contado do calçado chocando-se ao chão era ouvido. Um corredor enorme de paredes e chão branco, o barulho era semelhante ao de um salto alto fazendo contato com o chão várias e várias vezes, era a única coisa que ecoava ali, nenhum outro ruído, nenhuma voz, nada, somente isso. A suposta mulher parou na frente de uma porta e seu reflexo apareceu no pequeno vidrinho da porta branca.

         Ela,era eu.

Continua...                           


No próximo capítulo:     

_ Qual cidade? _perguntei.

_ Spokane. _ele respondeu.

_ Desde quando estamos aqui?

         Trevon abriu a boca para responder e então Cardoso o cortou.

_ Jesus, como essa garota pergunta! _ele falou quase gritando, parecia irritado.


Notas:


AI-MEU-DEUS, o blog tem comentários e eu não estou acreditando. EU TÔ MORRENDO SOCORRO! Obrigada, obrigada e obrigada ♥ Ah, não esqueçam de comentar, de se inscrever no blog e recomendar para uma amiga ou amigo.

Vamos ser sinceras: quanto mais seguidores e comentários mais motivação quanto mais motivação mais capítulos.


Próximo capítulo em breve.


- Um beijo, Mama.

maio 21, 2015

The Diaries Of A Survivor. Capitulo 3.



“As palavras às vezes são insuficientes.”



Anteriormente em The Diaries Of a Survivor:

         OH DEUS! Elas estavam totalmente ensanguentadas e suas roupas estavam rasgadas, alguns estavam mutilados e eu me perguntava como ainda conseguiam andar. Todos eles andavam devagar, pareciam em algum tipo de transe. E seus olhos, bom seus olhos eram... Brancos e sem vida... Eram como os olhos da morte, vazios, abandonados, sem vivacidade e sem esperança... Essas pessoas estavam... MORTAS?

__________

        
_ Trevon, o que aconteceu com aquelas pessoas? _perguntei saindo rapidamente de perto da janela_ Eles estão machucados e se até mesmo parecem mortos _falei rapidamente tropeçando em algumas palavras e gesticulando abundantemente com as mãos_ Precisamos ajudá-los e... _ fui interrompida.


_ Me escute, eles realmente então mortos _falou Trevon olhando pra mim, alerto a qualquer tipo de expressão minha.


_ Não, não estão _apontei para a janela_ aquelas pessoas estão de pé e... _mais uma vez fui interrompida.


_ São mortos-vivos. _ele falou sem dar detalhes.

         Mortos-vivos? Como assim? Isso é algum tipo de pegadinha. Isso não é real, é apenas um sonho. Eu não poderia lembrar minha vida, quem eu era ou de que lugar vim, mas eu continha vagas lembranças de uma antigo mundo e nesse mundo mortos eram apenas mortos. Meu corpo estava paralisado, minha mente estava em outro lugar, bem distante do cômodo que estávamos, ela brincava lá em baixo, passeando entre as pessoas mutiladas, sangrentas e com olhares abandonados. Eu não queria acreditar, eu não poderia acreditar. Eu não queria chorar, não ali, não na frente dele, eu só queria gritar e sumir, voltar para o lugar em que fui criada, mesmo não sabendo qual era, voltar para os braços de uma mãe que eu deveria confiar e ouvir-la dizer que eu ficaria bem, que sonhos ruins iguais o da noite passada –digo minha possível e nova realidade- não voltariam a acontecer. Mas eu não deveria ter uma mãe, muito menos uma pessoa para me consolar agora.


_ Oh Deus _continuou Trevon_ você esta tão confusa.


         Eu não respondi. Minha mente ainda estava em outro lugar.

_ O que você esta pensando? _ele perguntou, olhei pra ele.

_ Como você e Cardoso me acharam? Somos da mesma família? Vocês me conhecem? Qual é o meu nome? Por que não me lembro de nada?

         Trevon sentou-se do meu lado e começou.

_ Eu e meu tio estávamos no supermercado, quando uma pessoa que estava lá dentro foi infectada por um morto-vivo, ele tinha aparecido simplesmente do nada. Todo mundo saiu correndo, ao verem que não eram apenas um morto-vivo e sim uns dez o trem saiu dos trilhos e todos piraram de uma vez só.


_ Esse supermercado ficava em que lugar?


_ Em uma cidade vizinha, bem próxima a uma floresta e imagino que eles tenham vindo de lá. _ele pausou limpando a garganta e continuou em seguida_ e eu e meu tio também saímos correndo _ele se ajeitou na cadeira_ na verdade ele quis ficar pra matar aqueles bichos, mas quando viu o que tinha acontecido com o homem que estava sendo mordido ele desistiu e saímos correndo juntos. Fomos para o estacionamento e entramos no carro, eu que estava dirigindo. Enquanto todo mundo corria, aquilo rapidamente tornou-se um inferno, mais e mais mortos-vivos saíram da floresta, e quando fui dar ré para ir embora você apareceu correndo passando atrás do carro e eu acidentalmente atropelei você. _arregalei os olhos e ele ficou aparentemente nervoso_ desculpe _ele deu de ombros e em seguida uma pausa, ou melhor, outra pausa_ mas ajudei você. _ele disse por fim.


         Minha mente falhava ao tentar lembrar-se de alguma coisa, tudo o que eu conseguia associar a Trevon e o tio era os dois apontando suas armas para o meu rosto.


_ Meu tio tinha falado para seguirmos em frente e deixar você lá caída, mas eu tenho compaixão pelos outros e não poderia deixar você lá agonizando ou simplesmente deixar você ser servida como comida para aqueles bichos, então te ajudei.


_ Como? _perguntei olhando para baixo.


_Coloquei você dentro do carro e tive que ouvir meu tio brigando comigo, dizendo que se algum bicho tivesse mordido ele enquanto eu te ajudava, ele me caçaria até no inferno, e eu não duvido muito que ele teria feito isso. Sabe garota, aconteceu tudo muito rápido e em pouquíssimo tempo o mundo já tinha ido para o caralho, não só o supermercado, como toda a cidade já estava um verdadeiro inferno em menos de um dia. Levamos você para casa, trancamos tudo, desde as janelas até as portas. Você não acordava e até achamos que você estava morta, mas graças a Deus não estava. _Ele pausou rapidamente tomando fôlego e voltou a falar_ Quando chegamos em casa minha prima, que nos esperava, me ajudou a cuidar de você. Você não tinha quebrado nada, o que era ótimo, mas tinha batido com a cabeça com força e estava desacordada. _coloquei minha mão no local dolorido da cabeça e com a ponta dos dedos acariciei levemente.


_ Isso tudo aconteceu essa semana? _perguntei a ele, essa dor na minha cabeça era bem recente então era fácil deduzi isso.

_ Isso tem uns dois anos, garota. _ele falou com uma gargalhada rápida e sem humor levantando a sobrancelha e olhando pra mim.

_ QUE? COMO ASSIM? OH MEU DEUS! _levantei incrédula da cadeira e ainda estava com a mão na cabeça, senti um pouco de tontura com a rapidez que o fiz, mas em alguns segundos passou. Isso doía e era muito recente para ter dois anos. Isso era mentira, minha cabeça ainda doía para cacete e em dois anos isso já teria parado de doer a muito, muito tempo. _engoli a seco e respirei fundo_ você é pirado.

_ Hey _ele levantou_ depois de dois anos fugindo até mesmo da própria sombra, tendo que andar pisando em ovos em todo momento e tendo que manter vivo não só a mim e meu tio como VOCÊ também é assim que me agradece, me chamando de louco? _ele pareceu levemente irritado_ eu esperava no mínimo um obrigado vindo da sua parte.


_ Então você diz que eu bati a cabeça e que em dois anos a dor nunca parou? Desculpa, eu realmente não posso acreditar nisso. _neguei com cabeça lentamente.


_ Você viu o que tem lá fora? Eu realmente salvei a sua vida. _ele pausou, tentando se acalmar, eu acho_ hoje mais cedo você acordou do seu sono de anos e quando se levantou escorregou, bateu com a cabeça e desmaiou na hora. Eu sei, pois fui fazer uma visitinha a você e quando me viu se assuntou e escorregou.


_ Então eu bati com cabeça e desmaiei de novo? _perguntei da forma mais irônica que consegui. Trevon afirmou com a cabeça como quem já estava cansado.


         Fiquei em silencio encarando o chão. Eu não tinha mais ninguém e nem em nada pra acreditar então porque não acreditar nele e das coisas que vinham da boca dele, certo? Mas isso parecia loucura. Isso era loucura.
                                                                       

_ Você costumava me visitar sempre? _perguntei.


_ A presença máscula do meu tio nem sempre é boa _ele deu de ombros_ é interessante ter alguém para conversar, mesmo que essa pessoa não responda as suas perguntas e nem converse com você, então sim eu visito o seu quarto com frequência.

_ Mas e a sua prima? Eu não a vi e você também poderia ter conversado com ela... _fui abaixando meu tom de voz assim que vi a expressão de Trevon mudar.


_ Minha prima faleceu tem três meses. _ele ficou em silêncio por algum tempo e voltou a falar_ você teria gostado dela. Ela quem dava banho em você, te arrumava e foi ela quem pintou sua unha.

         Olhei para minha unha e elas realmente estavam pintadas, porém o esmalte já estava enrugando... Mas, se ela faleceu tem três meses, quem que estava me dando banhos enquanto eu ainda estava desacordada? Meu coração parou quando pensei que talvez a resposta envolvesse Trevon ou o tio dele. Enquanto Trevon encarava alguns monstros pela janela, sem ele perceber, eu levei meu rosto próximo a minha axila e dei uma fungada de longe, estava cheirando a desodorante e parecia que nem tinha se expirado às 24h ainda.

_ Quem me deu banho depois que ela faleceu? _perguntei, minha voz tremula.

_ Eu. _ele respondeu virando-se para me encarar.



Continua...

No próximo capítulo:     


         Fechei meus olhos e desejei mais uma vez que tudo ficasse bem, que tudo fosse um pesadelo e que...
                                 
         AAAAI

         Coloquei minha mão na nuca ao sentir uma espécie de queimadura interna. Tudo pareceu ficar escuro e meus pés se encontraram com as nuvens, mas eu não podia me manter nelas. Sentei-me no chão para evitar uma queda, coloquei minha mão na cabeça pressionado firme como se fazendo aquilo a dor fosse parar.


Notas:


E ai, tudo bem? Mama o que aconteceu com a sobrevivente nessa prévia do próximo capítulo? Eu não sei de nada e.e
Próximo capítulo em breve.


- Um beijo, Mama 

maio 17, 2015

The Diaries Of A Survivor. Capitulo 2.

“Quando o inferno estiver lotado, os mortos reinarão sobre a terra.”


Anteriormente em The Diaries Of A Survivor:

_ Eu não ousaria! _o homem falou atrás de mim.

         Senti todo o meu corpo ficar fraco, meu coração não poderia bater mais rápido, meus olhos estavam arregalados, meus lábios estavam secos, meu corpo estava congelado. Me virei alguns longos segundos depois e os dois homens já apontavam as armas para mim.

__________

_ Por favor não me matem. _ eu supliquei enquanto algumas lagrimas já saiam dos meus olhos. Os homens olharam-se entre si_ Quem são vocês? _perguntei.

         Eu estava tão assustada quanto uma criança que vê um palhaço pela primeira vez. Na minha mente eu já poderia ouvir os barulhos dos tiros e já poderia senti-los furando minha pele com crueldade e agilidade.

_ Não abra a porta, ao contrario eu atiro _ameaçou o homem mais velho a menos de dois metros de distancia de mim.

         O homem a minha frente aparentava estar lá para os seus 48 anos, seus olhos castanhos eram frios e bem observantes, ele parecia ser um homem amargurado com a vida e que faria de tudo para ter o que quer, até mesmo que isso custasse explodir algumas cabeças com alguns, ou até mesmo um, tiro certeiro. Seu cabelo castanho era preenchido com vários fios brancos, o que confirmava o fato de ser bem mais velho do que o sujeito ao lado. Ele parecia em forma, sua voz era autoritária, firme, levemente irônica e até um pouco rude.

_ O que esta acontecendo? _perguntei fungando com o nariz e tentando me acalmar, se fosse para ele me matar, já teria o feito.

_ Me dê às chaves! _ ele mandou ignorando mais uma das minhas muitas perguntas.

         Eu não tinha escolha, ao menos que quisesse morrer ali mesmo. Respirei fundo e tremendo dei as chaves a ele.

_ Ela é só mais uma garotinha assustada. _ele explanou ao me ver tremer_ Você pode cuidar disso Trevon. _disse o homem mais velho abaixando a arma e olhando para trás.

         O tal Trevon tinha alguns traços do homem mais velho. Ele deveria ter uns 30 anos, tinha o cabelo loiro e olhos azuis. Trevon era bem mais alto que eu.


         Trevon afirmou com a cabeça e o homem mais velho virou-se para mim uma ultima vez e foi para o andar de cima, parando no meio da escada e pronunciando em bom som.

_ Qualquer coisa estou lá em cima Trevon. _disse olhando para o rapaz e brevemente para mim._ mas, acho que essa criança não ousaria tentar qualquer coisa, espero que ela seja inteligente_ Em seguida continuou a subir a escada balançando as chaves no dedo.

_ Esta tudo bem? _perguntou Trevon olhando brevemente para mim e abaixando a arma.

_ Quem são vocês? _perguntei ainda encostada na porta.

_ Sou Trevon. _respondeu guardando a arma na cintura, ainda estava de cabeça baixa.

_ Isso eu sei. _minha voz saia por um sussurro.

_ O homem mal-humorado é meu tio. _pausou_ Pode chamá-lo de Cardoso.

_ Vocês são sequestradores? Digo vocês me trancaram aqui e... _antes que eu pudesse continuar fui interrompida.

_ Você não sabe o que aconteceu lá fora? _perguntou ele colocando as mãos no bolso da calça e finalmente olhando pra mim.

_ O que aconteceu lá fora? _ perguntei, meu coração acelerou por algum motivo.

_ É uma longa história. Acho que você vai querer sentar para ouvir. _disse ele indo até a sala. Dando as costas para uma desconhecida? Que corajoso.

         Por alguns segundos hesitei em não ir, porém o que restava a não ser segui-lo? Olhei para a porta uma ultima vez e o segui. Eu gostaria que ela pudesse abrir magicamente.

_ Quer comer alguma coisa? _perguntou.

_ Não _respondi parando na frente do sofá.

_ Se quiser sentar... _ recomendou aproximando-se da janela.

         Sentei-me e fiquei encarando-o por alguns segundos até que ele começou falar.

_ Você esta bem confusa. _Ele garantiu com a voz rouca cruzando os braços e apoiando-se na janela, ainda sem olhar pra mim. Sim, era muito fácil adivinhar que eu estava confusa, eu poderia jurar que vários pontos de interrogação pulavam em cima da minha cabeça deixando-me com cara de idiota. O rosto de Trevon estava virando para a janela ele olhava através das poucas brechas que as madeiras deixaram.

_ Você não tem noção. _respondi.

_ Você se lembra de alguma coisa? _perguntou.

_ Nada. _respondeu ela_ O que vocês fizeram comigo?

_ Nada _pausou_ só te ajudamos a sobreviver. _disse Trevon inclinando o corpo para frente. Ele parecia agitado.

_ Me ajudaram a sobreviver? _perguntei tentando lembrar-me de alguma coisa. Minha mente falhou, mais uma vez.

_ Você acredita em vida após a morte? _perguntou mudando o assunto.

_ Por que a pergunta? _perguntei levantando-me.

_ Poderia responder, por favor. _pediu Trevon dando alguns passos a frente._ Acredita em vida após a morte?

_ Particularmente, sim, não, sei lá. _respondi franzindo a testa e afastando-me de Trevon. Na verdade eu já não sabia no que e nem em quem acreditar desde que tinha acordado, eu não lembrava absolutamente nada, nem meu próprio nome e tão pouco as minhas crenças...

_Siga-me, por favor. _pediu ele indo para a escada e subindo para o andar de cima.

         Por que parecia que a cada segundo as coisas ficavam mais complicadas do que há alguns minutos atrás? Cada vez eu me sentia mais confusa e mais boba diante dessa situação. Por que ele esta fazendo tais perguntas? E que papo é aquele de vida após a morte? Enquanto subia as escadas junto com ele eu fazia-me varias perguntas mentalmente. Como de costume nenhuma das minhas perguntas tinham respostas, tão frustrante.

         Quando entramos em um dos quartos do segundo andar, notei que dentro tinham duas cadeiras, um armário grande e de frente para a janela um rifle Hecate.338 com uma mira telescópica acoplada a ele, pelo menos foi o que Trevon disse. Depois que ele terminou de explicar o que era aquilo, arregalei os olhos e dei um passo para trás.

_Calma. _ele levou a mão ao alto_ aproxime-se. _ele juntou-se a janela.

         Era estranho o fato dessa janela não ter tantas madeiras como as outras, elas tinham um espaço saliente entre elas, o suficiente para o cano de uma arma. Franzi a testa e respirei fundo.

_Acredita em vida após a morte? _perguntou ele.

         Oh Deus! Ele era surdo? Eu já tinha respondido.

_ Já falei que não sei. _respondi cruzando os braços e me aproximando dele, juro que se ele perguntasse isso mais uma vez, eu chutaria seu saco.

_ Então _ele deu um binóculo para mim _ Acho melhor começar a acreditar. _falou Trevon dando espaço para que eu pudesse olhar através da janela.

         Aproximei-me da janela, e posicionei o binóculo perto dos olhos, franzi a testa logo em seguida ao olhar a rua. O frio domava aquela noite e eu sentia o ar gelado entrando pelas brechas da janela e tocando minha pele, mas as pessoas que andavam lá fora pareciam não se importa com isso. Eu observei-os com mais atenção e... OH DEUS! Elas estavam totalmente ensanguentadas e suas roupas estavam rasgadas, alguns estavam mutilados e eu me perguntava como ainda conseguiam andar. Todos eles andavam devagar, pareciam em algum tipo de transe. E seus olhos, bom seus olhos eram... Brancos e sem vida... Eram como os olhos da morte, vazios, abandonados, sem vivacidade e sem esperança... Essas pessoas estavam... MORTAS?

Continua...


No próximo capítulo:

 _ QUE? COMO ASSIM? OH MEU DEUS! _levantei incrédula da cadeira e ainda estava com a mão na cabeça, senti um pouco de tontura com a rapidez que o fiz, mas em alguns segundos passou. Isso doía e era muito recente para ter dois anos. Isso era mentira, minha cabeça ainda doía para cacete e em seis anos isso já teria parado de doer a muito, muito tempo. Engoli a seco e respirei fundo_ você é pirado.


Notas:

Hey meninas, como vão? Bem que eu falei que iria postar rapidinho, viu?
Próximo capítulo talvez amanhã. Comentem ai em baixo se gostaram do capítulo. Não se esqueçam de seguir o blog.


Um beijo, Mama.

maio 15, 2015

The Diaries Of A Survivor. Capitulo 1.

“O medo envenena seu sono, nubla os pensamentos, pressiona seu coração. O medo o obriga a fazer coisas.”


         Apertei firme e lentamente meus olhos. Senti uma pressão entranha perto da testa e posicionei minha mão na cabeça. Ai isso dói! Algo estava envolvido em cima. Sentei-me e olhei em volta.
                             
_ Em que lugar estou? _perguntei pra mim mesma.

         Na minha volta, um lugar totalmente desconhecido. Eu parecia estar em um quarto, não era tão grande assim, mas tinha uma cama de casal, que era a que eu estava agora, um armário e dois criados-mudos enfeitavam os lados da cama. Somente uma vela iluminava o tal quarto desconhecido. Janelas eram bloqueadas por madeiras grossas que pareciam ter sido colocadas ali para ninguém ultrapassar, as paredes estavam com mofo e o teto com infiltração, por fim, duas portas. Como cheguei aqui, afinal?

         Tentei lembrar-me do que tinha acontecido, infelizmente não tive tanto sucesso. Estou confusa e com uma enorme dor de cabeça. Minha falta de memória não importa agora, o foco nesse momento é sair daqui e depois voltar a pensar nisso.
         Levantei-me lentamente e quase perdi o equilíbrio, fiquei tonta por alguns longos segundo e quando me firmei ao chão senti meu coração bater tão acelerado que eu conseguir ouvi-lo, meus olhos estavam bem abertos e os ouvidos poderiam captar qualquer som, até os mais baixinhos, eu acho. Ao me aproximar da porta, pude sentir meus lábios secarem, toquei na fechadura e tentei abri-la. Sucesso! Eu tinha conseguido sair. Caminhei para fora do quarto tão devagar para não ser notada que por algum momento até parei de andar. Ali parecia ser o segundo andar. Existiam cinco portas, contando com a qual eu tinha acabado de sair. Dei alguns passos tão silenciosos para a escada, que ficava na frente do quarto que eu tinha saído, que até um ninja sentiria inveja de mim.
         A cada degrau em que eu descia, eu ficava cada vez mais assustada e nervosa. Quando cheguei ao fim da escada, ouvi vozes. Merda! Com o susto que tomei poderia ter sofrido um ataque cardíaco. Agachei-me e olhei em volta, o lugar em que eu estava não me proporcionava uma visão ampla de absolutamente quase nada.  Posicionei minha mão direita no coração, e respirei fundo. Eu teria que visualizar bem o local antes de sair gritando e correndo feito louca. Afinal se estou em um lugar onde as janelas estão bloqueadas coisas boas não poderiam ter. Em meu campo de visão, pude ver mais a frente à entrada para a sala, estiquei mais o pescoço e vi dois sofás, uma lareira e no meio uma possível mesa de centro, o sofá estava na frente impossibilitando a certeza se ali realmente tinha uma mesinha de centro, mas afinal, o que importa? As vozes pareciam não vim exatamente dali mesmo.
         Olhei em volta para ter certeza de que não tinha ninguém para impedir-me de sair dali. Silenciosamente caminhei para a porta e ao tocar na maçaneta tentei abri-la. Infelizmente não tive tanto êxito quanto da outra vez, a porta estava trancada com três cadeados enormes.
         Eu sentia tanta raiva de mim mesma e já estava perguntando-me mentalmente como não tinha percebido os cadeados. Nervosismo talvez, ou só falta de atenção.
         Minha única alternativa: procurar as chaves sem fazer barulho algum e sair dali.
         Minhas mãos estavam gélidas e tremulas quando aproximei-me da divisão entre a sala e a entrada da casa. Notei que dali era possível ver a metade da entrada do que parecia ser a cozinha. Não pude deixar escapar que, desde que eu tinha acordado, todas as janelas que eu tinha visto desde que sai do quarto estavam com aquelas enormes madeiras que bloqueavam a passagem tanto de quem tentasse sair pela janela tanto de quem tentasse entrar por ela. Respirei fundo. Adentrei na sala, mas antes, certifiquei-me que estaria sozinha ali dentro.

         Não havia ninguém ali.

         Mais uma vez ouvi as vozes.

_Precisamos matá-los! _ falou uma voz masculina.

_ Matá-los? Esta louco, rapaz? _perguntou com ironia uma segunda voz, também masculina_ Temos que sair daqui antes que eles nos peguem, isso sim. Não podemos ficar chamando atenção por ai. _ele pausou_ essa casa não é grandes coisas, ela não tem tanta segurança e nem grandes recursos.

_ Tudo bem _deu uma pausa_ porém levaremos a garota.

_ Que seja, sairemos daqui amanhã.

         MATÁ-LOS? Quem queria os pegar? E essa garota, seria eu? Oh Deus, isso explicava tudo. Eles me pegaram e agora estavam fazendo-me de refém e a policia devia estar atrás deles. Isso explicava as janelas bloqueadas, eles não queriam que eu escapasse. Isso tudo em troca de que? Pensei sobre o fato de estar com a cabeça dolorida. Devo ter tomado uma boa pancada na cabeça e desmaiado em seguida. Aqueles homens querem o que? Vingança? Dinheiro? Eu não poderia simplesmente responder, porque não me lembrava de NADA. E além do mais eu não poderia pensar em quaisquer respostas para as minhas perguntas, não agora, não naquele lugar. Certa, ou não, eu precisava sair dali o mais rápido possível.

         Avistei algumas chaves presas em um chaveiro pequeno em forma de arma em cima da mesa de centro, lentamente fui até o meio da sala, inclinando-me para frente, pegando as chaves com a mão direita e com muita cautela para não fazer barulho algum. Ao olhar para a cozinha, meu campo de visão era melhor e maior agora do que anteriormente. Avistei dois homens dês costas para mim, sentados em um banquinho em frente a uma bancada. Prendi minha respiração e lentamente abaixei meu olhar, que captou de imediato algo no bolso deles, forcei a vista e... OH DEUS! Eram duas pistolas, uma em cada bolso de cada um deles! Ao lado deles, duas armas enormes descansando apoiadas na bancada, a essa altura eu não poderia distingui-las e sim pensar no estrago que fariam em mim caso eu fosse baleada por elas.
         Entrei em desespero de imediato e sai correndo, mas as chaves chocaram-se umas nas outras fazendo um barulho enorme na sala silenciosa.
        
         MERDA MERDA MERDA MERDA!

_Tem alguém aqui! _foi o que consegui ouvir do rapaz da segunda voz e em seguida um barulho estrondoso da cadeira caindo brutalmente no chão.

         Quando cheguei na porta da saída, desesperei-me ao me deparar com a fato de que teria que escolher três das seis chaves que estavam no chaveiro, tremendo peguei qualquer uma sabendo que seria em vão e que talvez essa seria a ultima coisa que eu veria e que faria, coloquei uma das chaves para destravar um dos três cadeados.

_ Eu não ousaria! _o homem falou atrás de mim.

         Senti todo o meu corpo ficar fraco, meu coração não poderia bater mais rápido, meus olhos estavam arregalados, meus lábios estavam secos, meu corpo estava congelado. Me virei alguns longos segundos depois e os dois homens já apontavam as armas para mim.


Continua...

No próximo capítulo:

                  Quando entramos em um dos quartos do segundo andar, notei que dentro tinham duas cadeiras, um armário grande e de frente pra janela um rifle Hecate.338 com uma mira telescópica acoplada a ele, pelo menos foi o que Trevon disse. Depois que ele terminou de explicar o que era aquilo, arregalei os olhos e dei um passo para trás.

                                  
Notas:

PRIMEIRO CAPÍTLO Espero que tenham gostado, postarei muito em breve.


- Um beijo, Mama