maio 21, 2015

The Diaries Of A Survivor. Capitulo 3.



“As palavras às vezes são insuficientes.”



Anteriormente em The Diaries Of a Survivor:

         OH DEUS! Elas estavam totalmente ensanguentadas e suas roupas estavam rasgadas, alguns estavam mutilados e eu me perguntava como ainda conseguiam andar. Todos eles andavam devagar, pareciam em algum tipo de transe. E seus olhos, bom seus olhos eram... Brancos e sem vida... Eram como os olhos da morte, vazios, abandonados, sem vivacidade e sem esperança... Essas pessoas estavam... MORTAS?

__________

        
_ Trevon, o que aconteceu com aquelas pessoas? _perguntei saindo rapidamente de perto da janela_ Eles estão machucados e se até mesmo parecem mortos _falei rapidamente tropeçando em algumas palavras e gesticulando abundantemente com as mãos_ Precisamos ajudá-los e... _ fui interrompida.


_ Me escute, eles realmente então mortos _falou Trevon olhando pra mim, alerto a qualquer tipo de expressão minha.


_ Não, não estão _apontei para a janela_ aquelas pessoas estão de pé e... _mais uma vez fui interrompida.


_ São mortos-vivos. _ele falou sem dar detalhes.

         Mortos-vivos? Como assim? Isso é algum tipo de pegadinha. Isso não é real, é apenas um sonho. Eu não poderia lembrar minha vida, quem eu era ou de que lugar vim, mas eu continha vagas lembranças de uma antigo mundo e nesse mundo mortos eram apenas mortos. Meu corpo estava paralisado, minha mente estava em outro lugar, bem distante do cômodo que estávamos, ela brincava lá em baixo, passeando entre as pessoas mutiladas, sangrentas e com olhares abandonados. Eu não queria acreditar, eu não poderia acreditar. Eu não queria chorar, não ali, não na frente dele, eu só queria gritar e sumir, voltar para o lugar em que fui criada, mesmo não sabendo qual era, voltar para os braços de uma mãe que eu deveria confiar e ouvir-la dizer que eu ficaria bem, que sonhos ruins iguais o da noite passada –digo minha possível e nova realidade- não voltariam a acontecer. Mas eu não deveria ter uma mãe, muito menos uma pessoa para me consolar agora.


_ Oh Deus _continuou Trevon_ você esta tão confusa.


         Eu não respondi. Minha mente ainda estava em outro lugar.

_ O que você esta pensando? _ele perguntou, olhei pra ele.

_ Como você e Cardoso me acharam? Somos da mesma família? Vocês me conhecem? Qual é o meu nome? Por que não me lembro de nada?

         Trevon sentou-se do meu lado e começou.

_ Eu e meu tio estávamos no supermercado, quando uma pessoa que estava lá dentro foi infectada por um morto-vivo, ele tinha aparecido simplesmente do nada. Todo mundo saiu correndo, ao verem que não eram apenas um morto-vivo e sim uns dez o trem saiu dos trilhos e todos piraram de uma vez só.


_ Esse supermercado ficava em que lugar?


_ Em uma cidade vizinha, bem próxima a uma floresta e imagino que eles tenham vindo de lá. _ele pausou limpando a garganta e continuou em seguida_ e eu e meu tio também saímos correndo _ele se ajeitou na cadeira_ na verdade ele quis ficar pra matar aqueles bichos, mas quando viu o que tinha acontecido com o homem que estava sendo mordido ele desistiu e saímos correndo juntos. Fomos para o estacionamento e entramos no carro, eu que estava dirigindo. Enquanto todo mundo corria, aquilo rapidamente tornou-se um inferno, mais e mais mortos-vivos saíram da floresta, e quando fui dar ré para ir embora você apareceu correndo passando atrás do carro e eu acidentalmente atropelei você. _arregalei os olhos e ele ficou aparentemente nervoso_ desculpe _ele deu de ombros e em seguida uma pausa, ou melhor, outra pausa_ mas ajudei você. _ele disse por fim.


         Minha mente falhava ao tentar lembrar-se de alguma coisa, tudo o que eu conseguia associar a Trevon e o tio era os dois apontando suas armas para o meu rosto.


_ Meu tio tinha falado para seguirmos em frente e deixar você lá caída, mas eu tenho compaixão pelos outros e não poderia deixar você lá agonizando ou simplesmente deixar você ser servida como comida para aqueles bichos, então te ajudei.


_ Como? _perguntei olhando para baixo.


_Coloquei você dentro do carro e tive que ouvir meu tio brigando comigo, dizendo que se algum bicho tivesse mordido ele enquanto eu te ajudava, ele me caçaria até no inferno, e eu não duvido muito que ele teria feito isso. Sabe garota, aconteceu tudo muito rápido e em pouquíssimo tempo o mundo já tinha ido para o caralho, não só o supermercado, como toda a cidade já estava um verdadeiro inferno em menos de um dia. Levamos você para casa, trancamos tudo, desde as janelas até as portas. Você não acordava e até achamos que você estava morta, mas graças a Deus não estava. _Ele pausou rapidamente tomando fôlego e voltou a falar_ Quando chegamos em casa minha prima, que nos esperava, me ajudou a cuidar de você. Você não tinha quebrado nada, o que era ótimo, mas tinha batido com a cabeça com força e estava desacordada. _coloquei minha mão no local dolorido da cabeça e com a ponta dos dedos acariciei levemente.


_ Isso tudo aconteceu essa semana? _perguntei a ele, essa dor na minha cabeça era bem recente então era fácil deduzi isso.

_ Isso tem uns dois anos, garota. _ele falou com uma gargalhada rápida e sem humor levantando a sobrancelha e olhando pra mim.

_ QUE? COMO ASSIM? OH MEU DEUS! _levantei incrédula da cadeira e ainda estava com a mão na cabeça, senti um pouco de tontura com a rapidez que o fiz, mas em alguns segundos passou. Isso doía e era muito recente para ter dois anos. Isso era mentira, minha cabeça ainda doía para cacete e em dois anos isso já teria parado de doer a muito, muito tempo. _engoli a seco e respirei fundo_ você é pirado.

_ Hey _ele levantou_ depois de dois anos fugindo até mesmo da própria sombra, tendo que andar pisando em ovos em todo momento e tendo que manter vivo não só a mim e meu tio como VOCÊ também é assim que me agradece, me chamando de louco? _ele pareceu levemente irritado_ eu esperava no mínimo um obrigado vindo da sua parte.


_ Então você diz que eu bati a cabeça e que em dois anos a dor nunca parou? Desculpa, eu realmente não posso acreditar nisso. _neguei com cabeça lentamente.


_ Você viu o que tem lá fora? Eu realmente salvei a sua vida. _ele pausou, tentando se acalmar, eu acho_ hoje mais cedo você acordou do seu sono de anos e quando se levantou escorregou, bateu com a cabeça e desmaiou na hora. Eu sei, pois fui fazer uma visitinha a você e quando me viu se assuntou e escorregou.


_ Então eu bati com cabeça e desmaiei de novo? _perguntei da forma mais irônica que consegui. Trevon afirmou com a cabeça como quem já estava cansado.


         Fiquei em silencio encarando o chão. Eu não tinha mais ninguém e nem em nada pra acreditar então porque não acreditar nele e das coisas que vinham da boca dele, certo? Mas isso parecia loucura. Isso era loucura.
                                                                       

_ Você costumava me visitar sempre? _perguntei.


_ A presença máscula do meu tio nem sempre é boa _ele deu de ombros_ é interessante ter alguém para conversar, mesmo que essa pessoa não responda as suas perguntas e nem converse com você, então sim eu visito o seu quarto com frequência.

_ Mas e a sua prima? Eu não a vi e você também poderia ter conversado com ela... _fui abaixando meu tom de voz assim que vi a expressão de Trevon mudar.


_ Minha prima faleceu tem três meses. _ele ficou em silêncio por algum tempo e voltou a falar_ você teria gostado dela. Ela quem dava banho em você, te arrumava e foi ela quem pintou sua unha.

         Olhei para minha unha e elas realmente estavam pintadas, porém o esmalte já estava enrugando... Mas, se ela faleceu tem três meses, quem que estava me dando banhos enquanto eu ainda estava desacordada? Meu coração parou quando pensei que talvez a resposta envolvesse Trevon ou o tio dele. Enquanto Trevon encarava alguns monstros pela janela, sem ele perceber, eu levei meu rosto próximo a minha axila e dei uma fungada de longe, estava cheirando a desodorante e parecia que nem tinha se expirado às 24h ainda.

_ Quem me deu banho depois que ela faleceu? _perguntei, minha voz tremula.

_ Eu. _ele respondeu virando-se para me encarar.



Continua...

No próximo capítulo:     


         Fechei meus olhos e desejei mais uma vez que tudo ficasse bem, que tudo fosse um pesadelo e que...
                                 
         AAAAI

         Coloquei minha mão na nuca ao sentir uma espécie de queimadura interna. Tudo pareceu ficar escuro e meus pés se encontraram com as nuvens, mas eu não podia me manter nelas. Sentei-me no chão para evitar uma queda, coloquei minha mão na cabeça pressionado firme como se fazendo aquilo a dor fosse parar.


Notas:


E ai, tudo bem? Mama o que aconteceu com a sobrevivente nessa prévia do próximo capítulo? Eu não sei de nada e.e
Próximo capítulo em breve.


- Um beijo, Mama 

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